É fato que já faz um certo tempo que abandonei este blog, por falta de tempo, mas eu o deixei temporariamente, pensando que voltaria quando fosse necessário, e hoje é o dia. Esses dias atrás cheguei em casa disposta a assistir desenho na TV, e quando eu a liguei, vi algo muito mais parecido com um filme a moda de "Jogos Mortais", acredito que os meus pouquíssimos leitores já saibam do que estou falando.
Quando nos deparamos com fatos assim, temos o costume de ficarmos revoltados diante de tanta brutalidade, mas o que é mais revoltante, ser os pais daqueles que se foram, ou ser os pais daqueles que se foram em nome de um ideal, um tanto quanto absurdo? Eu não sei.
Infelizmente, quando ligamos nossos televisores, somos obrigados a ver todo o tipo de violência possível, será que é isto que nos está transformando em pequenos marginais nos nossos subconscientes? Afinal, quem nunca desejou morrer ou matar alguém em sua mente?
Esta é a questão, por que estamos cada vez mais violentos, e ao mesmo tempo, cada vez mais alienados? Este indivíduo que nos chocou - e digo indivíduo porque seu nome não merece ser citado - tinha um objetivo em mente que, infelizmente, nunca saberemos qual era. Ele queria descontar sua raiva? Vingar-se? Matar para satisfazer seu ego? Queria publicidade? Defender um Deus do ódio? Ou queria união?
Ele não atacou um lugar qualquer, ele atacou uma escola, que também não era qualquer, era a SUA escola. O que isto significa? Dizem que ele sofria bullying, ok, não sabemos se isto é verdade, mas o fato é que estamos cercados por esta praga, que muitas vezes, vem disfarçada. E o que o bullying faz? Exclui. Exclusão esta que vem tornando a sociedade mais mesquinha e individualista, deixando de lado aqueles seres mais fracos... Parece com aquela teoria de "o mais forte sobrevive". E quem é o mais forte? Aquele que está com a arma, ou aquele que mata mentalmente?
Quando excluímos uma pessoa, ela se auto-exclui, pois, não se acha digna de atenção, fazendo com que o silêncio seja o seu maior aliado. Mas, esta pequena máquina selecionadora, chamada escola, poderia reverter este quadro com apenas uma palavra: BASTA!
Mas a escola é a culpada, ou a relação pais e filhos é a culpada? Afinal, sabemos que não são todos aqueles que tem a oportunidade de conversar com seus entes queridos, pela simples falta de tempo. E assim, criamos pequenos "cidadãos" que não sabem conviver com o diferente, assim, ou ele se exclui, ou exclui alguém.
Quando estes pequenos alienados entram na escola, colocam este raciocínio em prática, e é neste ponto que a escola entra. Falando intimamente, eu vi o bullying de perto, e sei que ninguém fez nada para mudar. O sofredor se silenciou, os professores consentiram, e a diretora passou o carimbo. E os alunos? Continuaram em seus devidos postos, de sarcásticos ou de espectadores passivos. E se tivéssemos dito basta?
Enfim, este indivíduo pode ter sido vítima, ou não, porém, ele sabia da existência. Mas, por que atacar aqueles alunos que não sabiam de sua história? Simples, porque seria difícil ele encontrar seus antigos colegas e matá-los um por um, e também, porque matar crianças choca muito mais.
O que ele queria? Repito, não sabemos. Mas, ele alcançou grandes picos de audiência. Mostrou quão fácil é entrar em um lugar e fazer o que desejar, mostrou quão horroroso o homem pode ser, mas também, quão bom o homem é. Aliás, não nascemos com maldade, e muito menos da maldade, mas aprendemos a ser pessoas amargas, porém, também podemos ser generosos, ou seja, o homem ainda pode ser salvo.
Neste momento de dor, não existem palavras para consolar, porém, podemos fazer pequenas coisas que podem melhorar o mundo. Como? Ao invés de vermos a escola ou o trabalho como um "templo de discórdia, de tédio e de ódio", poderemos ver estes lugares como "lugarzinhos de encontro" onde fazemos novos amigos. Ao invés de acolhermos o Deus do ódio, criado pela sociedade, como se fosse um "papai do céu castigador", deveríamos acolher mais vezes aquele DEUS disfarçado de mendigo. Ao invés de começarmos o dia vendo uma notícia ruim, podemos ouvir uma música que nos traga paz, ou ainda melhor, podemos abraçar alguém, nem que seja o nosso bichinho cheirando a cão molhado, afinal, quem ama um animal, é capaz de adorar uma pessoa. E mais importante, ao invés de torcermos o nariz para as pessoas, poderemos dizer "bom dia", e não só nosso dia será maravilhoso, mas também, o dia daquela pessoa. Utópico demais? Pode ser, mas, prefiro continuar nessa utopia que ainda crê no homem, do que viver uma realidade cruel que é capaz de matar os sonhos de uma criança.
Queria finalizar este imenso post com o trecho de uma canção: "fammi ritornare in tempo per giocare perché sono stanco di sparare" (Faça-me retornar a tempo de brincar porque estou cansado de disparar". E assim digo, que estas crianças que se foram, apenas tenham morrido fisicamente, e que renasçam mais crianças dentro de nossos corações.
Nenhum comentário:
Postar um comentário